ANTOLOGIA VIRTUAL



OLÁ! ESSA É A ANTOLOGIA POÉTICA VIRTUAL DO I CONCURSO DE POESIAS EDMAR EUDES DE SOUSA! COMPILAMOS TODAS AS POESIAS INSCRITAS E PUBLICAMOS NOS NOSSOS MEIOS DE DIVULGAÇÃO! AS LOGOMARCAS ACIMA MOSTRADAS SÃO CANAIS DE DIVULGAÇÃO QUE PROMOVEM ESTE CERTAME. AS POESIAS A SEGUIR ELENCADAS ESTÃO APRESENTADAS JUNTO AO NOME OU PSEUDÔNIMO DO AUTOR.

OBS.: Os Certificados de Participação serão enviados aos e-mails de forma pausada, todos serão editados e enviados aos e-mails até o dia 12 de dezembro de 2017. Por fim, agradecemos imensamente aos inscritos no Concurso. Forte abraço!





                                               ANTOLOGIA POÉTICA

Nossa Cultura

Mote: Preservaram a cultura nordestina 
Mas mexeram demais na tradição.

Não se vê as canções de Pixinguinha 
Nem folclore pelo o Brasil a fora 
Não se vê os poemas de Asfora 
Muitos menos o grande Teixeirinha 
Foi Gonzaga depois foi Gonzaguinha 
Veio Anita, latino e o Safadão 
Grandes músicos pra parte da nação 
Que pra mim a cultura extermina
Preservaram a cultura nordestina 
Mas mexeram demais na tradição.

Grandes nomes da arte deixam saldo 
Mas o debito aumenta atualmente 
Poucos jovens apreciam repente 
Marines, Elomar e Reginaldo 
Nem Barto nem Gilberto nem Evaldo 
Esqueceram também o tremendão 
A rancheira o xaxado e o baião 
Cada dia que passa se elimina 
Preservaram a cultura nordestina 
Mas mexeram demais na tradição.

Relembrando aqui o velho pinto 
Doutor Dimas Otacílio e Lourival 
Três poetas de cunho universal 
Que saudade assim dos três eu sinto 
Mentes verves de colossal instinto 
Que honraram a bandeira do sertão 
Com sextilhas galopes e mourão 
Postularam assim a sua sina 
Preservaram a cultura nordestina 
Mas mexeram demais na tradição.

Pouca gente se torna apologista 
Da cultura que é um bem sagrado
Juventude preserve o que é lhe dado 
Seja amante da arte cordelista 
Pois repente e seresta em toda lista 
Eu carrego assim em meu brasão 
Sou poeta e sei que isso então 
É um dom que sim já me ilumina 
Preservaram a cultura nordestina 
Mas mexeram demais na tradição.

Neto Ferreira
Livramento - PB


Coisas juninas


Muitas coisas acontecem
Numa noite de são João
Reunião de amigos
Com o céu cheio de balão
Triangulo sanfona e zabumba
Menino soltando mijão.


O velho assando o milho
É a maior alegria
Amigos se apadrinhando
Num calor que contagia
É assim um São João
Com muita fé e alegria.

Comer canjica e pamonha
Milho cozido ou assado
Beber  a água do pote
E ficar empanzinado
Fugir de um busca pé
Num galope amedrontado.



Todo mundo reunido
Ao redor de uma fogueira
Ouvindo forró do bom
Ou fazendo brincadeira
E os olhos choramingando
Com a fumaça  da catingueira.

A moça faz adivinhação
E fica no pensamento
Pra saber se vai acabar
Com todo seu sofrimento
E implora pra Santo Antônio
Que lhe arranje um casamento.

No ambiente escolar
Também tem comemoração
Com quadrilha improvisada
Comidas e animação
Professores e alunos
Preservam a tradição.


Alunos vendendo rifa
Na barraca a paquera rola
Pega a palha de coco
Bandeira, tesoura e cola
Tudo isso é o mês de junho
Dentro de uma escola.


Lá no alto da serra
É aquele pipocar
De foguetões ou pistolas
E os traques a estourar
Cachorro fugindo pro mato
Começa logo a chorar.

No velho terreiro batido
Tem louvor e adoração
Com a bandeira no mastro
Faz-se uma oração
Rogando aos santos juninos
A divina proteção.

Tem muita coisa bonita
Pra divertir a moçada
Soltar apito gaiato
Fazer quadrilha marcada
Ou ensaiar um bom tempo
A quadrilha estilizada.

Tem uma pipoquinha quente
Cocada de amendoim
Pros que são mais calorentos
É servido um dindin
E a menina adoça a boca
Com um gostoso alfenim.

Tem casamento matuto
Com a quadrilha chegando
Um casal meio perdido
E o povo todo mangando
E o marcador só  de ruim
A quadrilha vai queimando.


Até mesmo na cidade
Procurando se encontra
Uma fogueirinha  acesa
Com a churrasqueira pronta
Com música ao vivo ou gravada
Dançar forró é o que conta.

Tem desfile de carroça
Com a noiva misteriosa
Passeando pelas ruas
Numa beca caprichosa
Isso é cultura junina
Que coisa maravilhosa.

Até parece que vejo
O São Pedro dos casais
Com Manoel Cícero animando
Eu não esqueço jamais
De uma época sadia
Que não volta nunca mais.

Assim é nossa cultura
Nosso jeito de viver
Vivemos nessa peleja
Pros nossos hábitos manter
O sertanejo é um forte
Não deixa sua história morrer.


Dois ‘Ouro




QUANDO CHOVE NO SERTÃO

Alegria se renova
Quando chove no sertão
O povo agradece a Deus
Com uma linda oração
Depois vai para o roçado
Pra fazer a plantação.

A nossa vegetação
Vai mudando a sua cor
O verde toma de conta
Torna tudo encantador
Representando pra nós
As graças do Criador.

Nesse processo de amor,
Vemos a chuva molhar
Nosso solo nordestino
Para podermos plantar
Trazendo meses depois
A fartura para o lar.

Léo Manuel 

O fortúnio larápio


Entre os bandidos fiz a minha aposta,
E a sina foi roubar teu coração.
De abraços, preparei grande explosão,
E eu guardei pra quando te ver exposta.

Persegui, quando a vi fiz a proposta
"Sem medo, me entregue sua paixão!"
No assalto, me armei com flores na mão.
E em teus lábios minha boca se encosta.

Nesta hora, em teus olhos fiquei perdido,
Quase esqueço que ali que eu era o bandido,
Que atingido, de amor quase morreu.

Sem notar, pensei até em ter fugido,
Afinal, eu não havia percebido
Que em teu beijo, quem foi roubado fui eu.



Ádamis Oliveira




Nas sombras de um soneto

Uma luz foi sumindo de repente
Todo escuro se fez pelo caminho
Ao tentar escrever em pergaminho
Apagou duma vez completamente.

Pois os versos dançando em minha mente
Pareciam os pássaros no ninho
Ao tentar encontrar o seu cantinho
Vem dormir dentre ramos novamente.

As estrofes são mães amamentando
Os sonetos são filhos repousando
Dentre rimas que servem de balanço.

Entre sonhos que todos lhes alcançam
No papel que tão lindos versos lançam
A tua perfeição hoje   te alcanço. 

Dulce Esteves


Poesia

A poesia está guardada
No coração da criança
Na beleza do olhar
Na fé e na esperança
Nos momentos já vividos
Na saudade e na lembrança.


Está presente no amor
Transbordando alegria
Também na simplicidade
Na letra da melódia
E nas bênçãos do Senhor
Recebemos a poesia.


Ela está no coração
No cantar do passarinho
No saber de um idoso
Que nos transmite carinho
Nas flores de um jardim
Perfumando o caminho.

Madalena Santos
ANTES QUE SEJA TARDE

Antes que seja tarde, eu não quero me arrepender
dos abraços que nunca dei, do pão que não reparti,
dos filhos que eu não amei, da família que magoei,
dos amigos que não visitei, da mão que não estendi...

Antes que seja tarde, eu não quero me arrepender
das pessoas que desprezei, dos excessos que cometi,
do silêncio que eu não fiz, das vezes em que me calei,
das mágoas que conservei, dos perdões que não pedi...

Antes que seja tarde, eu não quero me arrepender
da árvore que não plantei, dos lugares que não conheci,
das lágrimas que não chorei, dos sorrisos que não dei,
dos apelos que não ouvi, das piadas que eu perdi...

Antes que seja tarde, eu não quero me arrepender
das viagens que eu não fiz, da música que não ouvi,
da comida que não provei, da bebida que não apreciei,
dos livros que nunca li, dos poemas que não escrevi...

Não, eu não quero me arrepender
da saúde que eu não cuidei, das doenças que adquiri,
de tudo o que não aprendi, das coisas que não ensinei,
do AMOR que não demonstrei, da VIDA que eu não vivi!...

Mônica da Silva Costa
Jacarezinho - PR


O POETA

O poeta é o estilista

Que borda, corta e costura;
Das palavras faz a veste
Que reveste a formosura,
E a poesia aparece
Na perfeição da cintura.

O poeta é o artista
Que faz arte da pintura;
Do nada faz o retrato,
Das tintas tira a figura,
E a poesia retrata
A perfeição que fulgura.

O poeta é o escultor
Que molda a matéria dura;
Pelas carícias das mãos
Vai mudando a compostura,
E a poesia repousa
No corpo da escultura.

O poeta é o escritor,
Porque em sua escritura
Fala por entre as palavras
Com estilo e desenvoltura,
E a poesia passeia
Por toda a sua feitura.

O poeta é o leitor,
Porque perde a compostura;
Se atira entre as palavras,
Desmonta sua estrutura;
E a poesia se agrada
Da imperfeição da leitura.


ARREMEDO DE POETA


IRMÃ DULCE

Irmã Dulce viu Jesus
Como há muito não se via:
Não em altares dourados
Mas nas ruas da Bahia.

Viu Jesus esfarrapado,
Viu Jesus feito criança,
Viu Jesus esfomeado;
Deu-lhe pão, deu-lhe esperança.

Brilha a luz da Santa Dulce
Mais que o Sol em Salvador.
Muitos anjos hoje a seguem
Semeando dons de amor.

Doce Dulce, nos ensine
A quem sofre consolar,
Dividir com quem tem fome,
A quem chora dar um lar.

Sebastião Vieira




O planeta pede socorro

Me recordo que a tempos
há preocupação ambiental
Preservar a fauna e flora
sempre foi uma missão.

Missão com poucos aliados
Alguns não aceitaram a questão
Poluem, destroem e degradam
Modificam a paisagem natural.

O planeta está em desequilíbrio
O futuro incerto é
O homem brinca de ser Deus
E faz tudo o que bem quer.

Com mania de grandeza
o homem quer conquistar tudo
Céus, terras e mares
sem pensar nos prejuízos.

As águas estão poluídas
As matas estão degradadas
Muitos animais estão extintos
O ambiente pede amparo.

Pense em nossos filhos
E nos filhos de nossos filhos
Se cada um fizer sua parte
amenizar os danos será possível.


Lya Reis





Se amor fosse bebida
eu vivia embriagado


Entregar de corpo e alma
Sua vida a esse amor
Se jogar sem ter temor
Mas também indo com calma
Para não tornar-se trauma
Entregar-se por agrado
Pra viver todo esse estrago
Sem ter medo da partida
Se amor fosse bebida
Eu vivia embriagado


Já tomei de tudo um pouco
Pra de você me esquecer
Cheguei quase enlouquecer
Me taxaram como louco
Pra razão eu fiquei mouco
Vivi todo atordoado
Mesmo com este legado
Nunca largo desta vida
Se amor fosse bebida
Eu vivia embriagado


De beber eu já parei
Pois isto não vale a pena
Não valia nem a cena
Mas de amar eu não cansei
Por você eu me entreguei
Pra viver neste estado
De amor alucinado
Entreguei-me a esta lida
Se amor fosse bebida
Eu vivia embriagad
Toda vez falta coragem
De ao novo se entregar
No amor se estribar
Retirar todo ferrugem
Gravar feito tatuagem
O amor que à ti é dado
No peito tão machucado
Tanta dor por nós sofrida
A história já relida
Se amor fosse bebida
Eu vivia embriagado


Jennifer Amorim.


ÁGUA É VIDA!


Água é vida que nasce e vai fluindo;
Desbrava calmamente a natureza;
Faz-se rio e navega em correnteza
Que leva-me as palavras conduzindo.

Reflete aquele sol que vem surgindo;
Recebe aquela chuva de pureza;
Deságua em mar aberto e profundezas;
E torna-se oceano imenso e lindo!

Água é vida que nasce transparente
Pelas obras humanas, poluída,
Mas é tempo de sermos conscientes

Que água suja jamais será servida.
Água é Deus saciando a sua gente;
Água é bênção que nasce e gera vida!

Bom Poeta
Versos Nordestinos

Nascem poemas
Quando a chuva
Cai no chão
Gotas de esperança
Para meu sertão

Os versos brotam
Feito semente
Semente do meu povo
Da mais nobre gente

Risos e lágrimas
Contam nossa história
Cantadas em cordel
Eternas na memória

Dádiva Divina
Divina criação
Natureza bela
Amada região

Encantada terra
Doce fantasia
Ser nordestino
É ser luta e alegria

Sonhos alvorecem
Ao nascer do dia
Feito pássaro livre
Cantando a melodia

Traduzirei então
Toda a sua magia
Espalhando ao mundo

Nordeste é vida
Nordeste é poesia.

HIATUS


Despedida a Ariano Suassuna

Parte o Poeta
Parte o Escritor
Parte o Dramaturgo
Parte o Professor.
O Homem simples
Que a Paraíba gerou
E depois para o mundo
Ele se revelou...
Do cômico ao erudito
Ariano cultuou
Numa linguagem tão simples
Que a todos comunicou.
Um cidadão versátil que aqui representou:
O rico... O pobre...
O povo trabalhador,
Sempre com senso de humor.
Perde a Paraíba,
Perde o Pernambuco,
Perde o Nordeste...
Perde o povo brasileiro!
Empobrece a Educação,
A Arte e a cultura
A todos ele enlutou.
As suas obras...
E tudo que nos deixou
Revelam a sensibilidade e o carinho,
Externam seu amor.
Sentimentos... Emoção, Paixão.
A dinâmica, a fé, a esperança,
Produzidas com a alma
De um inestimável valor
Até mesmo a morte,
O mestre ilustrou.
Hoje, nos despedimos afirmando:
O seu brilho que a todos iluminou.
Continuará brilhando
Por todo o universo
Entre os caminhos que trilhou...
Em especial aos que encantou.
Desta feita outro Reino
Ariano Suassuna
Com certeza já habitou
Lá na Glória do Senhor!


Renilde Cavalcante


A PROMESSA DE DEUS NÃO FALHARÁ



TODO CRENTE EM JESUS TEME AO SENHOR
CONFIANTE NA JUSTIÇA, DELE, ESPERA
É CIENTE DO FINAL DE NOSSA ERA
SEUS PECADOS, UM A UM, JÁ CONFESSOU
SUA VIDA A JESUS JÁ ENTREGOU/
ACREDITA QUE O FIM SE CUMPRIRÁ
QUE JESUS TRIUNFANTE VOLTARÁ
NÃO DUVIDE, TENHA FÉ OH! MEU IRMÃO
BUSQUE LOGO LÁ NO CÉU SEU GALARDÃO
A PROMESSA DE DEUS NÃO FALHARÁ.



NÃO SE RENDA NEM AO VÍCIO, À ORGIA
SE AFASTE DO ANTRO DA PERDIÇÃO
DE JOELHO ORE A DEUS, PEÇA PERDÃO
NÃO É SALVO QUEM PRATICA IDOLATRIA
JESUS CRISTO FOI À CRUZ, NÃO MERECIA
MAS A SUA VINDA EM BREVE SE DARÁ
O SINAL DA TROMBETA SE OUVIRÁ
A IGREJA SERÁ TODA ARREBATADA
COMO FOI A MUITO TEMPO ANUNCIADA
A PROMESSA DE DEUS NÃO FALHARÁ.



FIQUE ATENTO, ORE, SEJA VIGILANTE
NÃO ESPERE OS SINAIS APARECER
QUANDO DEUS COM SEUS ANJOS AQUI DESCER
QUEM TIVER COM JESUS É TRIUNFANTE
COMO FILHO DE DEUS ADORE, CANTE
A MORADA CELESTIAL TE HERDARÁ
O QUE ESTÁ SOBRE A TERRA FINDARÁ
SE PREPARE NA AURORA DESSE DIA
É PREVISTO, É ESCRITO EM PROFECIA
A PROMESSA DE DEUS NÃO FALHARÁ.



OS IRMÃOS SEMPRE LOUVAM UNIDOS
ESTUDANDO TUDO DE ESCATOLOGIA
NA ESCOLA BÍBLICA DE TEOLOGIA
AOS DOMINGOS TEM ESTUDOS DIRIGIDOS
VIGILANTES NÃO SE VEJAM DIVIDIDOS
LENDO A BÍBLIA VOCÊ A ENTENDERÁ
NA CERTEZA QUE VOCÊ SE SALVARÁ
O REINADO DE UM CRENTE  É  NO CÉU
NÃO SE TURBE OH INCRÉDULO  INFIEL
A PROMESSA DE DEUS NÃO FALHARÁ.


Sereno da Caatinga



Soneto do Amor


Creio que o amor é capaz de tudo.
É a planta semeada que dá fruto.
Creio que o amor é a razão,
Daqueles que se abrem ao coração.


Creio que o amor é a base que sustenta.
É o que une, transforma e alimenta.
Creio que o amor é a resposta,
Daqueles que desistiram na derrota.


Creio que o amor é a maior riqueza,
Faz de nós pessoas cada vez melhores,
Pobres em dinheiros, ricos em nobreza.


Creio que o amor traz mudanças.
Pois quem ama luta,
E nunca deixa de se ter esperanças.


Paty Maria



ALTOS COQUEIROS


A chuva em fim chegou com o inverno,
A caneta desliza sobre o caderno,
Num verso pernambucano e pós-moderno,
Que tem o colorido do carnaval.
Amante de Recife, mas nascido em Jaboatão,
Admirador de Olinda tão rica em tradição,
O poeta verseja com grande admiração
Todas as cidades dessa terra especial.


O batuque de Nagô, maracatu nação,
O sambista da gigante com o seu violão,
Música de raiz que reflete emoção,
O côco de Selma e a ciranda de Lia.
E no dia do Galo o mundo vai se curvar,
Pois nesse planeta maior bloco não há,
E a grande multidão o frevo a cantar,
Numa terra de sonhos com sabor de magia.


Saudações meus irmãos desse pólo do saber,
Nos erros dos meus versos venho lhe dizer,
E para quem não viu que venha ver,
Que Pernambuco é mesmo imortal!
Seja no batuque dos nossos tambores,
No quadro de nossos pintores,
Nas curvas de nossos escultores
Ou nos versos de um poeta marginal.


Caio Martins


SINHÔ DOUTÔ


sinhô doutô de mim não mangue
sou nordestina de sangue
sertaneja de coração 
não fui criada no sertão 
o que é uma grande pena
só grandeza maior é que de pequena
trago o sertão dentro de mim
e sei que sempre foi assim
mermo quando eu não sabia


sinhô doutô de mim não mangue
nordestina de voz cantante
não sou e não arrenego
na voz sotaque não carrego
invento toda atroada essa besteira 
falo chiado feito bolsa chiadeira
paulista que fala bosta e estrago
e diz “ceRto” mermo quando fala errado
e foi assim que fui crescida

sinhô doutô de mim não mangue
que não permito nem de longe
no peito pode até me cantar o chiado
mas é pra deixar qualquer um enfebriado
quando de graça bolem com sua gente
apois mermo que de viveres diferente
no fim sai é a merma língua da boca
só mermo um infiliz das costa oca
pra achar nordestino sem sabedoria 


sinhô doutô de mim não mangue
tô é caçando uma rima que encante 
estou só meu povo arremedando
tentando falar um dizer cantando
porque tenho é grande certeza 
nordestino é destino forte de boniteza
mas lhe pergunto aqui e agora
tu já ouvisse um nordestino contar uma história?
duvido que tu não se apaixone!


Viviane de Melo Bezerra


Minha namorada

Eu escolhi a noite como minha namorada,
por isso vou amá-la por toda madrugada
Não há dia que se compare
Com ao seu perfume suave
Amá-la é como ter o poema de amor como prólogo
Apaixonar-se por ela é como se tornar o próprio cosmo
Namorá-la é como viver na eternidade.
Ela é o sonho dentro do sonho tornando-se realidade.
Ela foi primeiro grande amor
E como uma tatuagem ela me marcou.
Não há garota de ipanema
Tampouco musas do cinema
A noite é estrela que povoa minha mente
Ilustra o quadro que não pintei
Silenciosa e abrasiva
A ela eu entreguei minha vida.
Ela aflora meus mais fortes sentidos
Incorpora em mim a dúvida
Ao mesmo tempo, a certeza do amor vivido.

Fernando Bicudo
Diamantina – MG



Fantoches?
        

Fantoches  somos todos 
da concepção até a morte?
Nascemos sem ser convidados. 
Morremos sem qualquer consulta
sobre desejos de continuidade.


De onde viemos, para onde vamos,
por que aqui estamos, são indagações
a que muitos rápidos respondem.
Certeza mesmo, ninguém tem
por mais que à Ciência se recorra.
ou se socorra da Religião.


Sou mesmo poeira das estrelas,
e para elas voltarei um dia
como queria Sagan? E depois?
A eternidade no círculo do tempo
tudo se repetindo à nossa revelia
como postulava Nietzsche?


Da lei da atração dos corpos,
da herança genética e  das forças
do macro e do micro universos
somos todos também  escravos.
Chego a pensar conclusivamente
que eu não sou  eu, discordo de Ortega,
sou apenas a minha circunstância.


Primavera



imenseiro


era um imenseiro tão largo,
parecia não tinha lados,
e era como se o espaço,
descompressado, dilatado,
não ocupasse todo o espaço,
tonteando, estabanado,
em voo sem direção
pelos vácuos do mudo arco
da amplidão.
o horizonte sorriu um sol.
o horizonte pariu um sol,
e a ardência dessa parturição
– como ardem todas as nascenças –
reverberou na pele do que se via
– em sol maior na minha –
como se tudo que existia
naquele instante azulado
fosse ventre do dia.
tudo se molhou de sol.
a luz sossegou os instantes,
que de passarinhos saltitantes,
agitados,
passaram a bois mansos,
de calmos movimentos lentos...
a manhã que nascera
com a mesma violência
– necessária e exata –
da fêmea louva-deus
a devorar seu amante
uma vez fecundada,
essa manhã, devorado o breu,
derretia suas garras,
dissolvia suas facas
de luz
em mornidão,
e tudo silenciava.
não se via vento,
não se ouvia um cheiro,
nenhum sentimento
fora do eixo
se movia.
não havia nada
fora de lugar,
nenhuma farpa
no imenseiro.
tudo calma
e comunhão.
ali, por um triz
– o tempo parado –
fui feliz.


Guerino Netto



Um sonho só


Vem, arrasa meu peito!
Leia nos meus olhos
As palavras de amor que eu trago pra ti!


Vem, arrebata o meu coração!
Cante a música que a minha alma toca
Sempre que te vê!

Vem e nunca solte a minha mão!
Sem ti eu sei que jamais estarei em casa novamente;
Em teus braços repousam agora
Todas as possibilidades dos sonhos meus
(Deixe-me habitar dentro de ti,
Fazendo dos teus devaneios minha morada
E dos teus pensamentos minha religião).

Asor Sued Ferreira
CANOAS – RS


Palavra Escrita

Na palavra escrita busco o lugar ideal
Para esta existência vulgar, vil, banal
Na palavra escrita encontro a guarida
Contra as tempestades ácidas da vida
A palavra escrita oferece bom refúgio   
Contra pragas, pestes, maus augúrios
Com a palavra escrita busco defender
Minha mente fértil da ideia de morrer
Da palavra escrita faço elmo e escudo
Contra afrontas e ameaças do mundo
Enfim, minha palavra escrita só serve 
Para que a vida não pareça tão breve...

Giordano Bruno
Santo André – SP



Desencanto


Já canso de esperar a madrugada
a noite vai passar porém demora
pois já se fez tão longa a caminhada
e em cada parada a chuva chora
e céu que era azul ficou cinzento
e o mar mudou de cor e era bonito
o peito já não tem aquele intento
e eu nem sei dizer se ainda acredito
não creio que por trás daquela porta
existe um momento que me espera
não sei se a esperança esta morta
ou se nasceu de novo e é primavera
mas sigo mesmo sem ter respostas
o tempo esse não para continua
pergunto por que o amor me deu as costas
por que a realidade ficou nua
por que a flor perdeu o seu perfume
e o passarinho não quer mais cantar
a estrela se apagou perdeu seu lume
e o poeta míngua e quer calar
pergunto e o peito esta calado
até o bem-te-vi mudou o canto
por que que tudo esta assim mudado
e em vez do sorrir existe o pranto
não há ventura em desistir da luta
mas onde se escondeu essa vontade
quem sabe o coração acorda e escuta
quem sabe a dor se perde na saudade...


Maria das Graças Silva
Recife – PE



O mamoeiro e o sanhaço


Vejo o mamoeiro,
Espécie tão rara na cidade.
Na infância, lá no meio do mato
Havia muitos mamoeiros,
Nunca vi ninguém os plantar,
mas nasciam sem que ninguém
soubesse como. Era engraçado!


Cheguei a perguntar às pessoas
que passavam pela estrada,
estrada solitária que nem o mamoeiro.
E nenhuma sabia o porquê ele fora nascer ali.


Havia um mamoeiro no quintal de casa,
Lá na parte alta do terreno,
Às vezes subia até ele
Para tentar arrancar um mamãozinho.
Peguei uma taquarinha e tentei jogar o mamãozinho
no chão vermelho de terra vermelha
e que ainda ficava mais vermelho com o sol quente.
Mas desisti por pena dele,
Parecia tão fraquinho, tão sozinho,
como aquele mamoeiro e a estrada onde eu costumava passar.
Resolvi deixá-lo em seu cantinho,
Bem quietinho...
Mas aí veio um sanhaço cor de terra molhada.
Assentou no pé de mamão,
como se fosse dele.
Olhou para um lado e para o outro.
Ameaçou ir embora.
Desistiu.
Bicou o mamãozinho, furou-o sem piedade.
E fugiu tranquilo.


Um dia voltei à cidade
E o mamoeiro agora parecia majestoso.
Já aquele sanhaçozinho hoje deve estar no céu,
prestando conta do seu furto...

Tom Ramalho
São Paulo - SP


CÍRCULO VICIOSO

E corta cana
corpo envolvido em pano,
por agora o seu plano
é livrar-se dos mosquitos;
e queima palha
entra ano e sai ano,
a única coisa que muda
é o patrão ficar mais rico.

E colhe cana até a noite
quando, enfim, deita no chão
o corpo todo dolorido,
pra de manhã tomar café
sem comer pão,
o almoço é só feijão
que fervido em água suja
até arde de fedido.

E limpa cana
pra encher o caminhão,
pois a usina de açúcar
tem que ser abastecida;
e corta cana dia inteiro,
tira bagaço e palha,
sua casa só tem tralha,
adobe cru e chão batido.

E corta cana com atenção
ou o facão lhe tora os dedos,
quem reclama perde o emprego,
a gororoba e o abrigo;
e se a palha é muito espessa
e se a mão tem muitos calos,
como forma de consolo
o sol queima seu juízo.

E dá o sangue e a vida
ao Vale do Jequitinhonha,
onde bom homem não sonha
pois só pensa nos espinhos;
nessa rotina de miséria,
de vinhaço e de sofrer,
seu destino é enriquecer
os poderosos e mesquinhos.

Neto de velhos boias-frias
que morreram tendo nada,
sua história foi escrita
longe da escola e dos livros;
nessa sina tão maldita
que mais parece armadilha,
também seguem a mesma trilha
a mulher e os seis filhos.


Cavaleiro de Cervantes
Guarapari - ES


ATÉ TOCAR SEU CORAÇÃO

Rua de moradores,
moradores de rua.

Em todos os lugares
milhares passam frio
e quantos passam
por você acordados
enquanto você dorme?

Em todos os momentos
milhões passam fome
e quantos passam longe,
que não estão aqui
e nem aí?

Muitos já se foram,
muitos virão ainda
e verão o seu rosto
no reflexo do vidro
do seu carro importado.

Em todos os lugares,
em todos os momentos,
milhares passarão frio,
milhões passarão fome
até tocar seu coração,
até tocar seu coração,
até tocar seu coração,
até tocar seu coração.


Alvalade
Brasília – DF


Me deixem falar


Sou o poeta
e não posso falar.

Eis o poeta...
Meu lar.

Sou o poeta,
me deixem pra lá.



Evandro de Campos
Parauapebas - PA
                                     

SEPULTURA

Tristeza.
Solidão.
A esposa sofre a separação,
Seu amado agora morto está.
Tristeza.
Solidão.
Partida.
A dor é indescritível.
A ausência de quem se ama
Machuca e sufoca o coração sensível.
Os olhos são como cachoeiras infinitas
Que jorram lágrimas no enterro de seu amor.
Ela leva a cruz para pôr sobre o caixão enterrado.
Ser consolada com palavras agora é impossível,
Pois ver seu esposo indo para a sepultura é horrível.

Sir. Robert
São Roberto - MA



Desesperança

Tem político quebrando o país,
Enquanto agride mulher e entope de pó o nariz.
Tem político acabando com o futuro,
E tem gente que ao invés de derrubar
Quer colocar outro tijolo no muro.
Belchior, meu companheiro,
Tenho algo a te dizer,
A nossa esperança de jovem não aconteceu,
E nem vai acontecer,
Pois o que essa galera preza
É reverenciar,
Se calar, 
E obedecer!
Estudante que filma estudante
É aprendiz de delator,
Reproduz a repressão,
Faz o que o dono ordenou.
Eu vejo o futuro reproduzir o passado,
Pois na hora do naufrágio 
Cada um vai pro seu lado.
Eu vejo um museu construído pelo medo,
E dentro desse museu não há nada de segredo.
Eu vejo tantos sonhos preenchendo as estantes,
São os marcos revolucionários dos nossos “bravos estudantes”.
Vândalo e invasor com orgulho, sim senhor,
Desculpe-me pelos transtornos, 
Foi você quem me educou.
Sem medo de mostrar a cara,
Olha só, eis me aqui,
Cansado de apanhar, 
E disposto a reagir.
Desculpa aí, digníssima esquerda brasileira,
Eu juro que não queria mexer na sua coleira,
Mas é que existe algo que não consigo entender,
Se seus donos não respeitam a constituição, 
Porque eu devo obedecer?
Isso é papo de pelego, 
E tudo isso me dá sono, 
Enquanto tem gente querendo a liberdade,
Tem gente querendo apenas trocar de dono!


Chicão
Ribeirão das Neves – Minas Gerais


SEM BORRACHA

Vamos falar de depressão;
Vamos falar de bipolaridade.
Vamos falar da solidão,
E porque não falar da hereditariedade,

Dos caminhos indiretos;
das portas estreitas,
dos parceiros imperfeitos;
Falemos do plantio e das colheitas.
Não nos esqueçamos de falar das escolhas malfeitas.

Acreditei que meus poemas podiam mudar o mundo
Mas roubaram meu chão e apagaram meus sonhos.
Tiraram meu futuro e não me sinto mais seguro.
Hoje caminho de cabeça baixa e olhos tristonhos.

Mas eu ainda sei que tempestade nenhuma pode apagar o sol.
Mesmo assim me escondo da luz para não ser cobrada.
Também me escondo das trevas,
Para não ser atacada.

Escondo-me, mas se preciso for,
Estarei pronta para qualquer confronto.
Saberei recomeçar do zero, com luzes, cores e sabor;
Posto que, para voltar à vida já estou pronto.

Não existe estrada sem fim
Pois todas me levam onde preciso ir.

A casa está sempre cheia,
E eu brindo a solidão a dois.
Não vou fechar a porta,
Porque a vida está deserta.

Sigo em frente sem pensar
no que será de nós dois.  
Abandono-me,
Talvez te encontre depois.

Ângela Goulart
Cachoeiro de Itapemirim - ES


EU TE AMAVA        

Lágrimas que de meus olhos rolam,
São sentimentos de afeição por ti.
Coração e alma de tristeza choram
A desilusão que eu sempre senti.

No peito aquela dor insuportável,
Parece que tem um punhal cravado.
A ferida aberta é vulnerável,
Antiga, do tempo de namorado.

Ausculto teus reclamos e acusações,
A todo momento nos meus ouvidos
Me culpando pela separação.

Eu tinha grande apreço por você,
Sonhava com luz e felicidade
Mas o que ficou, foi só a saudade.

Carlos Anton
Piracicaba/SP
Fluir

Corre no vento
No tempo que não volta
Pra lá mandei minhas memórias
Com gosto de biscoito doce

Fiquei quieta
Puxando udo o que me dava conforto
Não quero sair dessa zona
Deixem-me ficar aqui

Quero permanecer quente
Em posição fetal
Conectada ao meu próprio umbigo
Na fluidez maternal

Expandir-me em viver, amar e sentir
Nos abraços que se partiram
Nos vários outros que virão
E me fazer parir em festa: cabeça, alma e coração

Quero explodir desejos
Inventar verões
Curar as dores, se ainda existem
Nadar nas águas rasas da minha tranquilidade.


Dona Ernesta



MORCEGO

Quando eu nasci;
Depois de chorar eu sorri;
E hoje me pergunto;
O que estou fazendo aqui?

Tem dias que acordo;
Com vontade de acabar;
Do sofrimento me livrar;
 Com quem desabafar?

Sou morador de rua;
Ferido por longas batalhas;
Esperança me conduz;
A seguir a caminhada;

Nesse voo com morcegos;
Confesso que tenho medo;
Quero lhes revelar;
 Um velho segredo;

Quem me trouxe até aqui;
é o tal egoísmo;
chamas que levam;
 humanos ao abismo;

Ouça irmão essa voz;
Estenda sua mão;
A caridade é o começo;
De luz nessa escuridão;

Cada gota de minha lágrima;
Deixará de ser amarga;
Se você me ouvir;
Me faça de novo sorrir!?
Sou humano estou aqui!

Navegante
Campo Grande/MS






Amor Porção por Porção          
  
À proporção que tu me amas,
Eu vou te dar meu amor,
Um amor porção por porção;

Um amor em conta-gotas,
Amor em gotas marotas,
Ou talvez amor de montão.

Eu proponho entregá-lo a ti;
À medida ou à proporção,
Do amor que tu me dás,
Amor em pequena porção.

Ou talvez até quem sabe, 
Um amor que nunca se acabe;
E que pode fazer milagre,
Amor infinito em porção.   

Posso ainda entregá-lo a ti,
Um amor também sem medida;
Ou à medida que vem teu amor,
Um amor porção por porção.
                   
Não se mede amor sem medida,
Medida o meu amor não tem;
Não se mede amor pela ferida,
A ferida vai cicatrizar também.

Bom é ficar um e outro amor,
Sem medida e sem dimensão;
Pois se medir pode causa dor,
Sem medida só tem emoção.

Nem sei se existe amor sem medida,
Ou se amor pequeno medida tem;
Melhor é esquecer a medida,
O tamanho e a porção também.

Qualquer porção oferecida,
Faz muito bem ao coração;
Mesmo assim sem medida,
Ou em pequena porção.    

O que importa é a desmedida,
Não o tamanho das porções;
É como partir sem despedida,
Pra não ferir aos corações.

Se partir deixa coração partido,
Se pesar vai faltar porção;
Magoar não tem mais sentido,
Pesar e medir não tem precisão.

Não se pode pensar na medida,
Nosso amor baliza não tem;
Se alguém medir esses dois amores,
Vai achar milhão ou talvez vintém.

Melhor mesmo é deixar sem medida,
Sem pensar no tamanho também.
Assim não tem choro nem despedida,
E não será para sempre, amém.     
             
Nosso amor ficará sem medida,    
Nenhum do outro será mais refém;
Não tem chegada e não tem partida,
Se alguém medir terá seu desdém.

Vou te dar um amor sem medida,
Ou à medida do amor que me vem;
A medida desses dois amores,
Fica interessante nesse vaivém.  

Se a nenhum não traz mais louvores
Provado está não traz dissabores;
É com tal medida incerta e descabida,
Que estranhamente eles se mantêm.

E se aos amores não traz rancores,
E aos dois amores só faz bem;
Sem dúvida é esta a medida,
Que aos dois amores convém!   


Dra. Poesia
Rio Branco - AC


HAVERÁ UMA MANHÃ

Estou no fenômeno chamado solstício de inverno,
movimento de translação da Terra em torno do sol.
O sol atinge a maior distância de mim
em relação à Linha do Equador.
Durante esta estação mais fria,
o meu Eu recebe menos luminosidade.
O dia foi muito curto,
esta noite está mais escura e solitária,
é a mais longa do ano em meu viver!
14 horas de duração.
Parece uma eternidade!
O manto negro do céu cobriu meus pensamentos.
Surpreendentemente, aparece uma lua cheia,
e uma voz ecoou na escuridão:
“__ De maneira alguma te deixarei,
Nunca,  jamais te abandonarei!” (Hebreus 13)
Paralisada, senti que sim,
haverá uma manhã.

Maria do Carmo dos Santos
Vila Velha/ES




Ortografia

Na vidraça da janela
meu nariz, sem cicatriz,
gripado, encharcado,
entupido, pingado.
Quando vi a seringa de injeção
- que maldição! -
Senti rápido um arrepio
veloz, atroz,
despencando, explodindo
da raiz dos cabelos
às pontas do pés.
Com horrível humor,
feito caramujo teimoso, manhoso,
me escondi atrás de mim.
A penicilina fluiu
na magreza de meu músculo
provocando esquisito rebuliço,
que me fez palhaço de aço,
galinha sem pé,
criança sem força,
terra roxa sem café!
Por que um simples resfriado
Inventa drágea, xarope,
exame em jejum?
Não seria bem mais simples
com todo esse afã
ingerir chá de laranja,
de limão ou de hortelã?

Diadorina
Cruzília – MG






NAVEGO

Navego...
Adentro o mar encefálico;
Algas confundem a paisagem,
Emaranham o coração,
Que sereia tua imagem!

Como gárgula está o amor,
Posto à proa do barco solidão;
Um leão sobrevivente,
Inerte e imexível,
Observando cada ação!

A balsa de medusa,
E seus glóbulos maciços;
Clama por socorro,
Secando e morrendo,
É o sumiço!

Na orla...
 O trapiche observa;
Todo desarrumado,
Há ratos e baratas,
Animais em conserva!

O mar tempestuoso,
Crê na bonança;
O sol raiará,
Trará ao coração,
No elo, Aliança!

Navego...

Thales Alfa
Loanda – PR


MINHA MORTE

Espero que entenda o meu testamento
Que escrevo para ti minha amada querida
Pois tenho pouco tempo de vida
E nesse pouco de vida preciso apenas desabafar.
No momento não sei se estou certo em de falar
O que o meu pobre coração tem para de falar nesse
Tempo difícil de minha solidão, mais preciso lhe
Contar antes que seja tarde demais.
Estou passando o meu último suspiro nessa carta
Para lhe dizer que tudo que vivemos juntos vai
Ficar para sempre gravado em nossos corações
Que um dia viveu momentos de paixões incondicional.
Quero de dizer que você foi a coisa mais preciosa
Que apareceu em minha vida toda e que chamai
Irei fazer de vida uma coisa que só passou no passado
Essa coisa permanecesse em nosso presente.
Um dia amada minha, tu pegaras essa carta ao qual
Escrevo em memorias de nosso amo e ira mostra ao
Mundo e dizer que vale a pena esperar por um amor
Que durou por toda a nossa vida e por toda geração.

Herberteen Santos
Mauá/SP


Das fases do homem

O homem, quando nasce,
depende dos pais para tudo.
E deles recebe os cuidados:
colo, comida na boca,
banho, troca de fraldas...

O homem então cresce,
e vai se virando na vida,
deixando para trás a infância:
e anda, e come, e se banha,
já não molha mais as calças...

O homem enfim amadurece,
e busca ampliar seus saberes:
e estuda, e vai mais longe,
e comanda, e consome,
e se banca, e se basta...

Mas aí vem o tempo
e lhe prega uma peça...

É quando ele envelhece,
e volta a ter, agora dos filhos,
todos aqueles cuidados:
colo, comida na boca,
banho, troca de fraldas...


Pseudônimo: Borboleta Azul
Martinópolis - SP


Plantar o sonho

Acordo abrupto, ainda criança.
Meu sonho se vai, levando a esperança.
Começo a chorar, acabou a infância.


Sonhar jamais, professor não serei.
Seguir meu pai, que futuro terei?


Boia fria, cabeça pirada.
Barriga vazia, alma castigada.
Enxada erguida, terra plantada.
Sonhos não mais, mãos calejadas.

Tento dormir, noites vazias.
O corpo descansa, mas a alegria esfria.
Perco cedo o sonho que queria.


Alberto Pereira
São Paulo/SP


MEU PEDACINHO DE PAPEL


No meu pedacinho de papel!
Hoje a lua é alva no céu
Hoje a lua está cheia de poesia

E quem dera pudesse eu
Explicar esse esplendor de céu
No meu pedacinho de papel!

No meu pedacinho de papel
Tudo é contemplação de poeta
Que tenta transpor o que sente
Na poesia infinita, incompleta

Do meu pedacinho de papel!
Mas, o poeta sabe e sente
Que não sabem o que ele sente
Pois nem mesmo sabe o poeta
O quanto a poesia que sente
O deixa mais triste ou contente
Nesse seu pedacinho de papel!

Jean Carlo
Água Doce SC


STATUS ORFÃO

...acho que a cadeira não conhece o seu material,
nem o quadro sabe qual a tinta que o compõe,
tampouco a janela da sala ou a porta do quarto.
Como os sentimentos não conhecem o coração,
as expressões, o rosto, e os gestos, os movimentos.
Tal qual as palavras; a boca que fala.

Diógenes
Sorocaba - SP


A DANÇA DO AMOR


Dançar olhando em teus olhos
Receber o teu corpo com a leveza
De um sussurro a dizer:
Te amo!
Em um momento vê-la partir
Mas com a certeza de tê-la novamente
Deslizas diante de mim
Como o vento ao entardecer
Nossos corpos se aquecem
Silhuetas marcadas pelo suor do desejo
No ímpeto eu a lanço em direção às estrelas
Por um momento, tão bela és entre milhares.
Enciumadas deixam que volte aos meus braços
Recebo-a novamente.
Ao final nos curvamos
Àqueles que nos veem em nosso ato de amor
A dança termina
Mas, meu desejo em tê-la invade a eternidade.

Félix Hilton
São José dos Campos - SP

Legado


Morreu? Faleceu? Partiu?
Desencarnou? Se foi?
Nos deixou?
Descansa em paz?


Jamais!
Sim: paz! Mas
quando um poeta morre,
se sua poesia é nobre,
nobremente pousa nos braços
de ninfas, ondinas, duendes,
gnomos — elementais.
Imerge no âmago da terra,
mistura-se a todos os minerais.
Dentro em breve uma flor nasce...
... e esta flor é eterna!
Vai lá, amigo!
Continue!
Jardim do Éden,
25 de junho de 2017.

Líam Naví
Antônio Carlos - SC



Ar

Antes de querer mudar o imutável
aproveite tudo que ele pode te dar
Com certeza, sem mudar
o imutável mudará
e você, amigo,
ser mundano, que viaja o globo sem sair do quarto
Que não precisa de nada além de si
Talvez uma vida, planta, erva
um química
uma pega
Que por alguns minutos
muda.
Uma muda te muda
Que se muda da boca para o ar
Que do ar difunde no ar
até mudar
e se torna ar como o ar
que mesmo parecendo ar
sentimos que não é só ar
esse ar
mudou sem mudar.

Fabricio Carvalho
São Paulo - SP


Palavras de mim


Nos versos meus
Fiz várias moradas
Desde a luz dos olhos teus
Até histórias enamoradas


Nas palavras de mim
Encontram seu lugar
Encontram um fim
Ecoam em algum lugar


Procurando estar
Desejando ser
Para a algum lugar retornar


Para a alguém pertencer
O que quero dizer
Sempre vai ser condicionado
ao meu escrever.

Hans Steiner II
Fortaleza – CE.

Sou de lá...
                                              
Em mim, nada é urbano.
Não sou daqui.
E, somente agora, tarde demais,
Percebo que tenho os pés cativos
no trançado do capim-boiadeiro,
Que a minha alma continua encavalada
nas tábuas do velho curral,
E que tenho o coração encarcerado
pelas porteiras da minha infância.
Sou de lá...
                    
    
Regina Ruth


A FOME NO SERTÃO


Tempo abafado,
Estou preocupado.
Nenhuma nuvem no céu,
Temos que usarmos
O sombreiro ou o chapéu,
Aquele típico do tabaréu.
O céu está feito um véu,
A temperatura está nas alturas.
O desconforto se vê no rosto,
E na suadeira do povo na feira.
O suor é sal puro.
Por Deus eu juro,
Daria tudo em troca da chuva.
Para que ela pudesse,
Lavar o nosso chão,
Nos trazendo a farta produção.
Porém não vejo outra solução,
Que é esperar a benção
Ou então morrermos de fome
E sede neste sertão.

Edilson Nascimento Leão
Urandi - BA


Flor do meu sertão


Vou chegando à tua porta
E te vejo na janela
Meu coração dá um salto
E eu penso: que flor mais bela.


Te olho mais um pouco
E você me dá uma piscadela
Meu coração dispara de novo
Fico então hipnotizado com sua pele cor de canela.


Seus olhos da cor do mar,
Seus cabelos da cor da terra
Essa que a chuva há de regar
Essa de onde a chuva lavou as lembranças da guerra.


O tempo foi passando, e eu a me desesperar
E algo foi crescendo em mim
Aí já era impossível controlar
Se eu continuasse escondendo, esse seria meu fim.


Então tomei coragem, e contigo fui falar
Depois de tanto tempo te amando
Já estava na hora de me declarar
Cheguei então mais perto, e comecei a falar:


“Flor do meu sertão
A quem sempre irei amar
Teu, é todo o meu coração
A nenhuma outra ele vai amar”.


Com medo da tua resposta
Me virei e comecei a andar
Estava me afastando da porta
Já não aguentava esperar
Foi então que ouvi tua voz
E todo o meu sangue veio a gelar:


“Espera moço bonito, que não vou me demorar
Quero dizer-te poucas palavras
A fim de te alegrar
Não te vai, fica comigo
Também te amo
E no teu coração quero fazer meu abrigo”.


Feliz com aquelas palavras
Tratei logo de me apressar
Tinha que preparar a nossa festa
Até por que nós íamos nos casar.


“Corre meu amor, pois junho já chegou
Santo Antônio já nos abençoou
Com a permissão de Nosso Senhor
E na festa de São João
Eu hei de te dar
Todo o meu coração”.


Gabriel M.
Pesqueira - PE


Eu

Queria o impossível
Alcançar o céu
Transformar o mundo
No meu mundo
Queria felicidade
Entre luta e coragem

Almejei tudo
Consegui fome e ódio
Mais nada cavei da terra
Sangue
Guerra

Escravo dos meus erros
Busquei a felicidade
Onde jamais poderia encontrar
Procurei tanto
Sem perceber
Que estava dentro de min

Semente de um fruto proibido
Enlouqueço
Entre a loucura
E a destruição
Apenas eu

Jamais conheci a dor
Não encontrei outro ser
Até os problemas me perseguirem
Quis construir um escravo
Tornei-me um deles

Desejei substituir máquinas
Por seres humanos
“Poder”
Entre elas sou nada
Não posso mais ser chamado homem

Pois o homem
É carne
Sangue
Vida
Agora o que se tornou?
Verme que contamina
Corrói...
APAGUE A GUERRA
NÃO POSSO MAIS SOBRE “VIVER” ASSIM


Amora
Niterói/RJ


Doce menina dos olhos meus


Conheci-te há pouco tempo
e me apaixonei por ti.
Sei que muitos não te conheceram,
mas eu? Eu sim, eu te conheci.

Doce menina, bela como o azul do céu,
pele preta da nossa gente
e lábios amarelos, cor de mel.

Quando meu olhar foi de encontro ao teu,
fiquei fascinado pelo verde desses olhos meu.
Em sonho vi teu nome desenhado na areia,
Vera Cruz, tu és Deusa ou sereia?

De menina à mãe gentil,
protetora dos filhos teus, rainha do coração meu,
guardiã dos bosques e juíza dos sofredores.
Santa piedosa de todos os desamores.

Eis que na cruz te pregaram 
e tu foste leve e serena como o voo
de um beija-flor;
porém triste e pesarosa como o canto
do Uirapuru.

E é por isso que eu quero de volta
tu, com a qual um dia eu vivi.
Sei que muitos não te conheceram,
mas eu? Eu sim, eu te conheci! 

Victor Vinícius de Moraes Rosa
Ribeirão Preto - SP



Poeira ao Vento


Deixe os pensamentos fluírem e
o coração sentir o que as palavras
são pequenas e pobres para definir.

Ventos fortes rolaram pelo chão,
levantando e juntando grãos,
espalhando-se ao redor no ar,
tornando rarefeito o respirar.

Pequenina força,
ocupando minúsculos espaços.
Poeira ao vento a circular,
apenas mudando de lugar,
sem lamentar-se.

Viam-se olhos fechados,
cabeças inclinadas,
tudo parado,
esperando ele passar.

A força que brota da natureza
mostra sua beleza e grandeza,
em todas as direções. 
Acordando e às vezes fazendo dormir,
unindo ou dividindo os sentimentos,
dos corações.

Meio a poeira há quem o observe, 
um arco-íris aparecendo, inconteste.
Presente celeste dos céus, 
mostrando virtudes unidas,
em multicores. 

Representando a vida, 
a sabedoria, equilíbrio e paz.
União perfeita que traz,
para lembrar ao mundo,
que não é novo, 
as suas dores.


Ademilton Batista
 Itabuna – BA


Inspiração   

Tão raras as vezes que ela me oferta um beijo 
Envolve e me subjuga sob teu desejo 
Exprime para mim toda tua deslumbrante essência 
Dá a mais profunda razão de minha existência. 
 
Muito indócil, volátil, imersa em jogos de capricho 
Dispõe-me apenas uma gota dentre teu vasto mar 
Mantenho-me desesperado no desejo de lhe alcançar 
Enquanto me priva de tua presença, sublime regozijo. 
 
Excruciantes e labirínticos os percalços que levam a ti 
Frustrantes tentativas de lhe ter nas estrelas 
Quisera eu consultar os arquitetos que fê-las 
E lhes questionar sobre o espetáculo que contemplo daqui. 
 
As musas nada mais que reflexos de tua semelhança 
Em vida talvez o mais resistente escudo, 
em guerra a mais potente lança. 
Seja em linhas ou sons, desvencilha-se graciosa de teu véu 
Elevando-nos poderosa ao teu ápice, o teu céu.

Victor Tonidandel
Belo Horizonte – MG

 Decepção dos seus olhos verdes


De onde vem tanta vem tanto rancor
Instalado nesse seu coração careto
A decepção que agora é minha
Um dia já foi sua

Hoje você age como se não se importasse
Mas eu posso ver a dor refletida
Naqueles olhos verdes
Os mesmos que um dia me confortou
Hoje age como se não me conhecesse
Se você soubesse tudo o que já senti
Talvez um dia parasse de fugir

Ela não irá te entender
Porque acha que viveu demais
Mas se ela soubesse tudo o que já vi
Tudo o que já sonhei e vivi

Talvez soubesse que não está mais sozinha
Sozinha em uma noite escura e fria
Talvez ainda houvesse tempo
Tempo de te fazer sorrir
Ainda que eu já não esteja mais aqui.



ÉRIKA SANTOS
Araçuai - MG



Dos mistérios do samba 4+2+8+6 M 50


Caro amigo,
se queres realmente entender o que é samba
venha para as ruas, botecos, becos, quintais
rodas, praças, palcos, aprecie as pessoas,
repare a dor
sinta a alegria
e, então, transforme a vida em compasso.
Vista-se de ritmo
feche os olhos e reviva Tia Ciata
dona de todos os mistérios presentes - e ausentes-
no telefone de Donga e Mauro
no palpite de Noel
no morro de Candeia
no moinho de Cartola
nas flores de Nelson
na aurora de Ismael
na saudade de Heitor
na cadência de Ataulfo
na laranja madura de Noite
na Amélia de Mário
no boteco de Nelson
na máscara de Zé
no ferro de engomar de Alfaiate
na tristonha saudade de Monarco
no mar de Caymmi
na pitada de Riachão
no canto de rainha de Beth
no conto de areia de Clara
na malandragem de Bezerra
no sorriso aberto de Jovelina
nos nervos de aço de Jamelão
na Madalena de Martinho
no sinal fechado de Paulinho
no sonho de Clementina
no fundo de quintal de Leci
na batucada do Fundo
na estranha loucura de Alcione
na lucidez de Jorge
na gira do Zeca
no candeeiro de Teresa
na subida do morro dos Originais
na saudosa maloca dos Demônios
no sorriso negro de Dona Ivone.

- Depois de tudo isso, meu amigo,
talvez tenhas decifrado
os mistérios inebriantes do samba.

Solange Santana
Osasco/SP



Ilusão migrante



Cara assustada, dentes cerrados, olhos vagando,
riso contido, sentidos represados.
Uma cruz pende no peito tísico. Os ossos à mostra, desafiando a vida.
No bornal: pão, água e uma imensa vontade.
Fecha os olhos perdidamente vagabundos e sonha.
Um pedaço de carne seca passa lasciva pela imaginação entorpecida.
Encolhe o bucho e não liga pro ronco.
Persigna-se fazendo o movimento cristão.
(Padim Ciço ajuda, óxente, ora se não!)
Um clarão cruzando o ar. Chuva, relâmpagos, milho crescendo, quem dera!
Viola e peito cantado embora sofrendo.
Enganando a fome, enganando a vida.
(Quem sabe ela não se distrai e deixa que ele exista?)
Ilusão... Doce jeito de viver!
O cheiro da pinha... Hum! Traz o cheiro da infância.
Abre os olhos perdidamente vagabundos e acorda.
Paredes grafitadas passando como legenda em filme estrangeiro.
Como ele, dentro do seu país, mas se sentindo um estranho.
A boca amarga, o nó, a fome. A sede, a falta, a eterna falta.
Desânimo! Será que Padim Ciço ajuda mesmo? Uma frouxa vontade de nada.
Cartazes iluminado o desejo de ser. De vir e ser. De vir a ser.
Roupas bonitas. Radinho de pilha. Uma televisão colorindo a vida.
Sonhar não custa nada. E ninguém escuta. Só Jesus que talvez se compadeça.
Uma cruz bem grande com Ele caindo bonito no peito recheado e bem nutrido.
Vontade danada de ser.
Na mochila, a ilusão pesa e os sonhos correm vadios. No bolso, o vazio pesa.
No ombro esquerdo (é canhoto) a viola pende docilmente quieta.
Esperando o vir a ser. Vir de amigação, na boleia de um caminhão.
Lava a roupa e faz comida pro compadre que dirige.
Pau de arara é caro. Tem que ter dinheiro.
Sujeira, vozes roucas e ressequidas por não se alimentarem.
A corda vocal está seca e tesa como a corda da viola que pende muda.
O caixão de sabão “Europa” com a ensebada presilha carrega os trapos e o que é tudo: vir e ser. Vir a ser.
Estação Rodoviária do Tietê: suja e fedida como o rio de quem leva o nome.
No alto da construção, construindo o pé sem meia. Salário mínimo não dá pra viver.
De noite, a viola ajuda e Padim Ciço também.
Cantorias no Brás até a meia noite porque às sete tem a construção pra fazer.
Construindo o que é dos outros.
Quem virá morar neste prédio de apartamentos?
Quantos sonhos acalentarão os leitos macios?
Quantas desilusões essas paredes ouvirão chorar?
E ele? Será sempre sozinho?
Que saudade da Lucinha!
Ficaria linda vendo o movimento da sacada do apartamento.
As tranças voando como a sua saudade no peito.
O peito dói a dor de tanta saudade! Saudade até do ar. O daqui é tão pesado!
Do eterno calor. Aqui é tudo tão frio. Até as pessoas.
Aqui não tem bicho. Bicho é quente. Olho puro. Inocente.
Aqui o bicho é homem. Fera. Mata por dinheiro.
E volta o desejo de voltar e vir a ser. Só ser. Ser só, mas no seu cantinho.
Embaixo dos umbuzeiros, catando raízes, comendo preá.
Brincando de adivinhar se o vento que chega traz chuva ou não.
Se traz... A gente fica e engravida a terra.
Se não... Sina errante na boleia de caminhão.
Se o camaleão muda mesmo de cor,
confundindo-se com a mata que mata o pobre de fome,
é porque é inteligente mais que o próprio homem e se esquiva de ser morto.
Tá sacramentado: vai ser um camaleão e se confundir até com o cimento e o asfalto quente, mas vai viver feito gente.
Pensamento mais besta que traz a vontade de voltar
e apenas ficar sentindo o gostinho da infância na pinha.
Amando Lucinha...


EDILEUZA BEZERRA DE LIMA LONGO
São Paulo - SP




Ela era uma força da natureza

Ora era calmaria
A brisa leve
Na maresia
A onda neve
A alforria
Alegria breve
Na noite de agonia
Ora era explosão
Num segundo
Todos rastejavam
No chão
Um a um
Sedentos
Por alguma
Atenção.


Juliana Magalhães Aguiar Cardoso
Rio de Janeiro - RJ


SACRIFÍCIO

A minha fita vermelha ligada a um coração 
E a afiada tesoura guardada em meu bolso
Confirmam esse olhar marcado no seu rosto 
De quando percebi que não existia a paixão 
Referentes a lares iguais 
Indiferentes, de gostos iguais 
Quais serão os finais 
Se nos tornamos rivais? 

É fato que a amo
Desde que me tornei um escudo 
Mas sabes o que pensa 
O teu escravo obscuro
Não acredito que eu vença 
Porque entre nós há um muro
E mesmo que eu não possa tê-la 
Viverei para protegê-la 

Reprimi as declarações que iram fugir 
Resiste até o último momento
E para sempre guardarei esses lamentos 

A princesa que vejo na janela
Sabe o quanto a acho bela? 
Sabe o quanto a acho esperta 
Só que nossas mentes estão distantes 
E nessa guerra, minha morte é certa 

Porque sou o (seu) sacrifício 
Não sei se ainda percebeu 
A intenção do meu ofício 
Serei a pessoa a te levantar 
Serei o pilar a te segurar 
Serei aquele que ao seu lado estará 
E mesmo que sejam pequenas as ações 
Elas revelam quem tenho em meu coração 
Até no dia quando cumprir meu papel

Morrerei (meio) realizado 
Pois apesar de tudo, tenho sonhos 
Que jamais serão alcançados 
Porque sou o sacrifício que salvará seu sorriso

E para isso ser cumprido 
Por mais que você não queira 
Com a tesoura, corta minha fita vermelha 
E morro numa imensidão sem coração
Até que eu possa ressuscitar 
E um dia de novo amar. 

Guilherme O.C. Corona
Vila Velha – ES


Mariposa, quem é ela
Mariposa na Janela
Nem pergunte quem é ela
Rarefeita, desfeita e refeita
Meu espelho de canela

Mariposa na Janela
Queima, arde, na panela
Se ajeita, suspeita e deleita
Perde a asa, a antena pela

Mariposa na Janela
Teceu a vida tagarela
Se é malfeita, ela enfeita
Com uma fita amarela

Mariposa na Janela
tem jeitinho de Marcela
Vira à direita, cama feita
Ela sou eu e eu sou ela

Marcela Santos Brigida
Rio de Janeiro - RJ






JOGO ASSASSINO


A partir do reconhecimento de imagem de um e do outro
Descubra limite de farsa de homens e bichos 
Anaconda tem manchas prenhes de tinta na barriga
Falcão tem no focinho bico de menino sapeca
Guepardo arrepia flores de capim com seus passos leves
Lince multiplica língua de fogo no céu da boca
Urso cinzento conserva dentes brancos na carne da presa
Onça pintada tem ar de estátua riscada por artista
Viúva negra mostra pelo campo oitos dedos de foice
Lobo tem olhar de moça velha na janela do quintal
Tubarão-branco tem boca de caverna de noites coloridas
Hiena guarda uma certa tristeza detrás da orelha
Naja tem barriga cheia de rei que não perdeu coroa
Orca mostra na água jeito de brinquedo frágil de louça
Cascavel explica ira de Deus estampada na cintura
Piranha carrega cara de cadáver no traçado da pele
Tubarão-tigre tem nariz de Pinóquio pintado de nuvem
Leão lembra signo em esplendor na roda do Zodíaco
Tarântula tem bunda de coco babaçu queimado
Lobo guará não esconde rosto de bonachão cativo
Águia ganha espaço na montanha com roupa de cacique
Harpia permanece elegante na saída da cerimônia
O homem não adianta esconder sina que nos habilita
Somos piores quando disfarçados do que qualquer outro bicho

Rubervam Maciel Nascimento
Santo André – SP
Explosão

Um dia comum
N’outro não mais
envoltos de dor
ouvia-se o clamor
na parte detrás

Garimpam a rocha
Escassez de oxigênio
Surge fumaça e poeira
E depois o silêncio

Aconteceu uma erupção
em seguida o deslizamento
e o rapaz da mineração?
Sequer o encontraram
Para a família em tormento

Não houve indenização
A justiça é lenta
Os outros esqueceram
O Brasil é penta


Afinal, quem iria lembrar
do trabalhador exausto
Apenas mais uma morte
Entre tantas outras


Brenda de Britto Sales
Salvador – Bahia






Um cão

Galgava na calidez do asfalto
O cardápio daquela rua era infinito
Um cão faminto e extenuado
Não sonhava apenas existia
As vitrines e prateleiras de poeiras
Sem sabor e aferventado
Vagava aquele cão sem pátria

Martim acorrentado na liberdade dos “mercados”
Arqueja nas janelas dos relógios e escolas
E a escabiose do estômago sem “passaporte”
Cruza os semáforos descalçados
E o destino, o futuro e o submundo
São plateias de decepções
Esquecidas nas páginas sujas da cidade

Pobre cão peregrina e respira
Uma fumaça, de pão de queijo
De um lar de algodão feito
Em sua poesia de papelão
Queima as pálpebras
Queima os olhos
Queima o chão
Queima o cão
Nesta poesia
O sol escalda
O cão levanta
E abençoa o lixão
Uma psicologia
O fiel amigo do homem
Amizade... Ilusão
“Um cão”

Hosane Henrique Lucas de Souza
Careiro – AM.

Inspiração


Uma morena, 
De gingado equilibrado.
Um tanto serena,
Mas de ser naturalmente agitado.
É delicada, sensata,
Inteligente, prudente,
Segura, madura, animada...
Ah, é a mistura de adjetivos,
Se reunir os mais lindos.
A arte que surgir,
É esta garota de olhos infinitos, bonitos,
De traços peculiares e magníficos.
É a pele sedosa,
Que faz contraste com o sorriso iluminado.
É a energia nordestina,
De sangue quente,
Com chame envolvente.
Que faz da mulher menina,
Um ser mágico. 
De cabelos escuros, castanho,
Com ondas se enrolando.
O jeitinho simples,
Com a mente,
De tamanho imensurável,
Um universo inimaginável.
É uma arte baiana!
E tudo que emana,
Atrai sem perceber,
Os olhares encantados,
Suspiros almejados,
E a vontade de conhecer. 
Tão doce, mas nada fácil.
A cada verso talhado,
É como uma rapadura,
Que a um tempo saiu do tacho. 
Ela é um arraso,
E ninguém diz ao contrário.
Pelo contrário.
E o mais difícil,
É não ficar apaixonado,
Ao se deparar com tudo isso.


Bruno Montes
São Paulo- SP


Gritos Contidos

Registro aqui o meu grito!
Um grito contido.
Entre mil gritos contidos.
Grito sujeito,
Grito verbal,
Grito passivo.
Que penetra o ouvido...
E envolve a alma...
Daquele...
Que vê no meu grito...
Um grito poético,
Um grito artístico.


Francisco José Gavazza de Lima
São Gonçalo dos Campos-BA


O tempo


A água vem da fonte
livre, devagar
sob o horizonte
vai longe até o mar.


Na primavera
nascem as flores
de todas as cores.
O sol brilha, tudo é bonito.


Porém tudo não é primavera
há noites escuras ,
dias “sem fim”,
mas tudo passa.


É sim,
o tempo passa.
O relógio
não para.



Maria Socorro Rocha Adriano
Bela Cruz- Ceará



Acordes

Quero acordes que descordem
Que destonem todos os tons
Que dobrem e se redobrem
Em ladainhas e chansons
Creio que tu transbordes...tu, acorde

Acordes cheios de cheiros
De manias de manhãs
De pontas e ponteiros
De voltas em horas vãs
Torço que tu concordes...tu, acorde

Quero acordes com desordem
Que batam em portas e janelas
Desses que insanos se descobrem
Vagando pelas vilas e favelas
Sei que tu podes...tu, acorde

Acordes plenos de penas
Mas que não aquelas do penar
E sim das aladas apenas
Voando aqui, aí, por todo lugar
Quero que tu acordes...tu, acorde.


Jamile do Carmo Staniek
Cidade: Nurembergue


Um dia perfeito

Tão alegre fiquei
Em sentir a brisa do mar
Pássaros voando livres
No céu azul e os raios do sol a cintilar
As ondas vinham brincar 
Batiam em meu corpo leve
Mas sem me machucar
Éramos várias 
Que de tanta alegria
Ficávamos a sorrir e a pular. 

Espumas gigantes
Envolviam meu todo
O Frio gostoso e gelado
Tomavam meu corpo
Eu flutuava de tanta alegria
Certo que aquele dia perfeito
Pra sempre comigo estaria.  

Jamais esquecerei aquele paraíso
Lindos coqueirais e as estrelas do mar
Ainda os percebo em meus sentidos
Basta os meus olhos fechar
Tão doce aquele dia, tão amargo a minha saudade
Que guardo em meu coração bem no cantinho
Como pássaro protege seus filhotes no ninho
Aquele dia perfeito, dos meus nove aninhos.
Como Inocente anjo
Construía meus castelos de areia
Sonhando meus sonhos
Com sorrisos ao mundo alheio
Doce inocência, doce criança
Que um dia a lembrança traria  
Com dor o sabor daquela alegria. 

Tudo era tão belo 
Tudo era imenso
O amor dos meus heróis
Um manto de alento
À noite o aniversário  
Dos meus nove aninhos
Que sempre guardarei
Com muito carinho.

O apagar da velinha
Já denotava o início do fim
Daquele dia perfeito  
Guardado só pra mim
A alegria ficou triste
E chorei, não pude resistir...
Tão alegre fiquei naquele dia
Um dia perfeito
Dia dos meus nove aninhos. 
                                                           
Luiz Eduardo Bittencourt da Silva
Maruim- SE



Lições Institucionais

Se queres ajuda:
     Eu cuido.
           Eu faço.

Desde que Eu apareça no fundo dos espaços midiáticos

Se queres sair da pobreza, beleza…

Tenho a proeza de alimentá-lo, desde que uma boa self tenhas postado

Se queres bebida, estarás à espera, num belo sofá da cortesia por hipocrisia, das aparências do fundo do olhar

O pobre quando pede, não procede de alguém mostrar

Se ele fede, dê banho com águas de oportunidades e afetos

Se não queres o pobre por perto, não o iluda com discursos, palavras fajutas para curar sua dor infinita

Se tens fome, num prato fundo comes
Se quiseres dividir teus banquetes, não se deleite nos buracos de um estômago vazio


Daianna Quelle Silva
Muritiba-BA









Féretro harmônico

Ao descobrir o amor ardente
Entregou-se, apreendeu-se
E sentiu o tempo pouco
Para tamanho interesse
As letras sua paixão
Todas juntas e impressas
Formando ideias, mistérios
Soluções, humor e promessas
Havia muito o que aprender
Queria um pouco conhecer
Precisava de um saber
E por isso resolveu ler
Indagava, lamentava
Por que não despertara antes
Tinha medo de não poder
Conseguir ler o bastante
Um dia ao perguntarem:
_Onde está a realeza?
_Lendo livros de cabeceira
Pode ter toda certeza
A família não suportava
Estava enlouquecendo a tal
Todo dia lia um livro
Um texto, um poema, um jornal
Fizeram planos funestos
Mas em tom de brincadeira
Quando a bela expirasse
Aprontariam alguma asneira
E ao invés de girassóis
Cravos, rosas ou violetas
No seu esquife botariam
Um corpo coberto de letras


Ana Maria da Silva
Passira – PE
LAMENTO

E essas mal traçadas letras
Que não sei se é poesia ou poema
Ou é um triste lamento que não tem onde repousar
Um farol apagado em alto-mar, em alguma página amarela há de habitar
Esperando o enlevo de uma leitura singular
Uma veia pulsante
Que vai do coração ao texto gritante
De mesma intensidade de um beijo excitante
Da onde não tem pátria, e nem cama literária
Não tem crítica, e nem elogio para se esmerar
Não tem vida, e nem rima para se lembrar

É o nosso mais profícuo tesouro
Eternizado em algum livro de ouro
É de alguma estrela ou de outra constelação
De papel, de algodão, ou de varinha de condão
Do buraco-negro ou da triste solidão
Do céu iluminado
Que clareia tanto a primavera quanto o outono estrelado
Do trono do meu coração
Que és rainha daqui até outro mundo vão.

Paulo Sady Ayres de Aquino
Belém-PA


As Flores dos Mortos


Todo dia levava uma flor no túmulo
Sabia que não haveria de fazer diferença ao morto
O feito era para acalmar a própria alma
Que de consolo carecia pela culpa.

Uma nova flor por dia o deixava tranquilo
Acompanhava-o no pensamento aflito
E deixava fresco na mente o aroma
Abaixo da lápide a preferida era a tulipa.

Mas ciúme despertou entre os outros
O mais amado dentre todos no santuário
Altares adornados não serviam aqueles espíritos.

Quando apareceu sem flor inconformado e ébrio
Raivosos o arrastaram para dentro, só se ouviu os murmúrios
Desde então os túmulos florescem e dele não há vestígio.



Susan Karine Cruz
Londrina – PR


Respingos de uma calha entristecida

Às vezes, a calha de lágrimas
Pinga inocentemente em meu
melancólico peito
Repuxa friamente todo o céu
dilacerado no vento

Eu deixo os ardores morrerem
Eu deixo os vapores desaparecerem

Em alguns momentos, a calha
seca fragilmente no tom véu
Fragmentado senso
Intacta terrivelmente ao léu
de um trópico medo

Eu faço as angústias gritarem!
Eu faço os espectros gemerem!

Quando, os respingos encalham
pertinho dos meus monstros
Só transpiro morte e cacos
Então, as gotículas não calam
Sou o ninho de mil corvos
Ainda me arranho em cáctus
E encaro cada chuva,
sou a própria calha.

Cristiane Vieira de Farias
São Paulo - SP


Face das manhãs


E se a manhã recusasse
O sol
E abraçasse as cinzas das
Nuvens,
E nos ombros macios dessas
Chorasse?


Sua chuva calaria som,
Feiras;
Amansaria, deste chão,
O pó;
Acalmaria certas rotas
Do dia...



Pois, às manhas, o dom foi
Dado
De, mesmo no desespero,
Semear paz...

Edilson Alves de Souza
Campos Belos/GO


BASCA

                                             
Espanha bordada por Lorca,
Chovem lágrimas sem sua poesia;
Paixões deflagradas sob tenro sol,
Riachos vermelhos, leitosos os seios
Que sequer gotejam-no breu do dia.

Não é flamenco, nem sevilhana
- É o réquiem da tourada humana.
Miró sem cores, desbotado,
E Gaudí (Torre de Deus):
No chão tombado.

La Charcha sem seus infantes,
Gitanas sem seus anéis;
Amores sepulcros sem glórias,
Dulce vila... teu breve adeus!

Pinceladas de negrume e de nada,
Formas e rostos quebrados...
Para os olhos do mundo: retrata!
Eternamente, a mácula tatuada:
- Música sem som.

Toma a grande dor - a sintetiza.
Tira o som dos gritos - cristaliza.
Transforma o horror da guerra em bela arte...
- É lindo, ou corrosivo?
Sob as tintas de Picasso: Guernica ainda arde.

Gisela Lopes Peçanha
NITERÓI - RJ

Amor de amigo

Seus olhos cor de âmbar
Seu pelo escuro como o céu
Da noite sem belas estrelas
Mas, dos enamorados, cúmplice fiel.

A alegria jovial e inocente
O amor tantas vezes incondicional
Do sorriso que cativa a gente
De uma forma sem igual

É o carinho do aconchego
Do amigo por mim tão amado
Em todo pôr do sol juntos
Me sinto por Deus abençoado.


Carla Taíssa Laureano Santana
Rio Negro - PR







LIBERDADE


Ó vida ingrata
Porque me deixastes assim,
Esse mundo tão antagônico
Não satisfaz o meu ser.
Como sonho em partir,
Criar asas e sumir,
Ir para onde os meus pensamentos me levar.
Ó vida ingrata.
Me deixas ser livre, eu preciso ir além,
eu preciso me conhecer.


Dihemeson Adenilson de Faria Ramos.
Atacambira – MG


Dois Patos

pato pluma
imerge

asas nulas
hastes bruscas
invisíveis

um ao lado olha
seu irmão desfocar ao a-

fundar

e ri e nada
por desaber o risco
do outro que

agora obscuro

in-verso ficou

João Felipe Gremski
Curitiba - PR


Tudo é poesia?


Estava na primeira página de jornal:
“Tudo é poesia.”
Assim mesmo, com ponto final.
Uma afirmação, que qualquer poeta, jamais aceitaria.

Não sendo, portanto, este muito hábil,
até porque trata-se de informação,
assim teria que ser mais sábio,
para formar opinião.

Então resolvi rebater,
pois é uma afronta à literatura.
Como pode alguém nisso crer?
É desrespeito à cultura!

Poesia é a arte dos sentimentos,
no qual se encontra o autor,
nas alegrias e nos sofrimentos,
podendo expressar da frustação ao amor.

Contudo, poesia não se faz,
quando a dignidade humana é atingida,
onde o terrorismo fere a paz
ou quando se tira uma vida.

Também não, num acidente,
ou ainda pela corrupção,
de um estuprador demente,
ou de quem vai pra prisão.

Onde impera o preconceito,
seja de qual tipo for,
ainda na falta de respeito
e no ódio se sobrepondo ao amor.

Portanto, há várias situações,
das quais, não podemos dissertar,
pois pra estas, não existem razões,
sendo prudente ignorar. 

Logo, tomemos cuidado ao escrever,
porque em tudo necessita harmonia,
para que o leitor entenda, o que se quer dizer,
pois haverá momento, que nem tudo é poesia.


Chiquinho Modesto
Formiga - MG

Comentários

  1. Boa-noite! Gostaria que constasse meu nome verdadeiro (Mônica da Silva Costa) no Poema ANTES QUE SEJA TARDE. Obrigada!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Mônica! Sua solicitação já foi atendida. Muito grato por ter participado! Forte abraço!

      Excluir
  2. Olá Mônica. Gostei imensamente da sua poesia. Não gostei por gostar, mas sim porque ela tem um conteúdo digno dos grandes poetas. Parabéns.
    Um abraço. Maryland Faillace.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá! Muito obrigada! Eu AMO escrever poesia! Em breve, será publicado o meu primeiro livro de poemas! Boa semana!

      Excluir
  3. VOCÊS são extraordinários e fabulosos. Parabéns, amigos notáveis.
    No mais elevado respeito.
    Sempre a admirá-los imenso.

    António Pena Gil

    ResponderExcluir
  4. Olá! Fiquei muito emocionada por meu poema ter sido um dos selecionados . E parabéns aos demais participantes! Eu gostaria que em meu poema "Amor Porção por Porção", constasse o meu nome literário Deise Torres!

    1000 bjs, ;))Deise Torres

    ResponderExcluir
  5. Olá, fiquei muito contente por ter participado deste grupo e de ver meu poema publicado. Gostaria também que vocês, se pudessem, colocar meu nome Gládiston de Souza no poema "O mamoeiro e o sanhaço", cujo pseudônimo consta Tom Ramalho - São Paulo - SP. Abraço a todos e parabéns a todos que participaram!

    ResponderExcluir

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